Conhecendo
a Grafologia
Entrevista
dada por Edilson Fernandes para a "Folha de Rio Preto" em
05/09/2000
- Como surgiu o seu interesse pela
grafologia?
R:
Isto foi há 13 anos atrás quando eu trabalhava no setor de recursos humanos de
uma empresa química de um grupo
Belga aqui na cidade de São Paulo. A coordenadora do setor me encaminhou para
um curso devido a necessidade de implantarmos mais um instrumento de avaliação
psicológica no processo de avaliação de candidatos. Na época a grafologia não
era tão conhecida aqui no Brasil, foi até difícil encontrar um local que
tivesse um curso de grafologia. Terminado o curso implantamos a grafologia em
nossa empresa e eu comecei a trocar informações com outros profissionais que já
utilizavam a grafologia em seu dia-a-dia. Comecei a colher mais informações teóricas
sobre grafologia e ao mesmo tempo utilizava diariamente a avaliação grafológica
em meu trabalho. Após algum tempo eu saí desta empresa para trabalhar como
consultor autônomo e como psicólogo clínico e continuei a utilizar a
grafologia tanto para avaliação de candidatos das empresas que estava
prestando consultoria quanto para a avaliação dos clientes que estavam em
processo de psicoterapia, pois a avaliação grafológica era um método rápido
e assertivo de levantar aspectos profundos de personalidade.
- Que tipo de retorno você tem
recebido com seu trabalho?
R:
O retorno é muito positivo. Cada vez mais a grafologia é reconhecida como um
instrumento sério e competente para avaliação humana. Em alguns trabalhos
específicos eu leio e explico o resultado da avaliação para o próprio
avaliado, e são nestas situações onde a fidedignidade do teste fica mais
evidenciada, pois se eu falasse alguma característica que o sujeito não
reconhece em si, este diria de imediato pois estamos frente-a-frente falando
sobre ele.
Eu
me lembro de uma situação muito curiosa, onde eu fui convidado a desenvolver
um trabalho com um grupo no qual seria aplicado testes psicológicos, dinâmica
de grupo e por fim seria feito uma entrevista de devolutiva falando sobre os
resultados obtidos de cada um. Uma pessoa durante a dinâmica, mostrou firme,
segura e com muita iniciativa e decisão, porém na avaliação grafológica ela
mostrava fortes traços de insegurança, vacilação e medo de enfrentamento o
que era totalmente contrário a imagem que ela tinha passado durante a prova
situacional que ela tinha realizado. Quanto eu sentei com esta pessoa e falei
exatamente os resultados dos testes, ela ficou muito surpresa e disse o
seguinte:
-
“Eu me sinto muito insegura e tento esconder isto ao máximo, todos que estão
à minha volta pensam que eu sou a pessoa mais segura do mundo, porém eles não
tem idéia do que eu sinto dentro de mim”...
- Quantas avaliações grafológicas
já fez ao longo destes anos?
R:
(risos) Olha !!! foi um montão, eu não saberia dizer um número ao certo, porém
são 13 anos trabalhando com este instrumento, acredito que eu já fiz mais
avaliações grafológicas que o Pelé fez gols ...
O que seria exatamente a
grafologia, e quais os seus princípios:
R:
Grafologia é uma ciência que visa fazer uma correspondência entre a grafia
(letra) do sujeito e as suas características de personalidade. Os princípios básicos
da grafologia são três:
1)
Princípio neurológico:
- Quando uma pessoa está começando a aprender a escrever ela tem que
pensar nas formas de cada letra que ela irá representar graficamente. As crianças
treinam a coordenação motora fina . Lembram do: ondinha vai – ondinha vem,
quando passávamos o lápis sobre os pontilhados das mimeografias que a
professora do pré-primário pedia pra gente fazer? A professora queria que nós
automatizássemos o movimento da escrita. E foi isto que aconteceu. Hoje quando
você escreve, você não precisa pensar em cada letra de cada palavra, você não
precisa pensar na forma da letra “a” para poder escrevê-la. Então escrever
entra na categoria dos “automatismos secundários” assim como andar, tocar
instrumentos musicais, etc... Você faz sem ter que pensar, ou seja você não
tem controle racional sobre escrever, pois isto é automático. Portanto existe
uma relação neurológica com o processo da escrita.
2)
Princípio Projetivo
- Quando você escreve você “desenha” letras em um papel, portanto
todo o simbolismo gráfico utilizado pelos psicólogos nas avaliações de
personalidade através de desenhos também são utilizados em grafologia.
3)
Social
- Quando aprendemos a escrever temos um padrão previamente estabelecido
que deve ser adotado. Tanto que quando a criança consegue reproduzir o padrão
desejado (letra caligráfica, ou a letra da professora) ela é elogiada: - Parabéns!
Muito bem! Que letra linda!, etc... E quando ela não consegue reproduzir o padrão
desejado ela é critica: Que letra feia! Que caderno porco! Que letra suja! Você
precisa treinar mais! Etc...
Com a passar dos anos cada um vai reeditando a própria letra, ou seja,
vai criando a “sua letra”. Alguns se afastam muito do padrão e outros nem
tanto. E estes dados são levados em conta na hora de uma avaliação grafológica.
E
juntado tudo, ou seja: princípio neurológico, projetivo e social, nós temos
um instrumento muito completo, profundo e confiável para a avaliação de
personalidade de uma pessoa
- A grafologia pode ser considerada
uma ciência?
R:
Sim, na Itália temos até um curso superior de Grafologia. Aqui no
Brasil a grafologia não é ensinada em faculdades, portanto podemos ter falhas
na formação de alguns grafólogos. A grafologia é uma ciência séria, porém
corremos o risco de termos grafólogos que não sejam sérios devido a
dificuldade de controlar o uso profissional da grafologia no Brasil. Porém,
acredito que este não seja um problema apenas da Grafologia, haja visto que
podemos ter em qualquer outra categoria profissional pessoas incompetentes ou
mau intencionadas.
- Quais benefícios uma avaliação
grafológica pode trazer para a pessoa?
R: O
principal ganho é o autoconhecimento, pois uma avaliação grafológica oferece
dados claros e estruturados sobre aspectos
de personalidade, potencial e sociabilidade. O sujeito que conhece os seus
pontos fortes e fracos pode investir mais energia no primeiro e tentar trabalhar
melhor o segundo.
- Na sua opinião, é possível
avaliar o caráter, traçar o perfil da personalidade de uma pessoa, com suas
potencialidades e tendências, apenas através da grafia?
R: Sim.
Acredito muito no instrumento. Eu sou psicólogo e também professor universitário
e de Pós graduação. Na pós eu ministro o curso de avaliação em recursos
humanos e tenho conhecimento em vários outros instrumentos de avaliação de
personalidade. E se alguém me perguntasse qual de todos os instrumentos disponíveis
de avaliação de personalidade eu escolheria para avaliar uma pessoa e eu
pudesse aplicar apenas um teste, eu com certeza escolheria a grafologia, por
considerá-la o instrumento mais completo para esta finalidade.
- Ao longo dos anos, as pessoas
podem mudar a letra. O que isso significa? Seria uma mudança nas tendências?
R: Sim
o esperado é que mude mesmo. É comum uma pessoa não conseguir mais
“acertar” a assinatura do cheque, simplesmente os cheques começam a voltar
por erro de assinatura e a pessoa é obrigada a mudar totalmente a jeito de
assinar, pois o anterior não “combina” mais com o seu jeito de ser. As
mudanças são lentas, porém se uma pessoa pegar textos escritos há 10 anos
atrás possivelmente encontrará várias mudanças.
- Muitas vezes a pessoas tem duas caligrafias: uma na escrita mais letra e outra quando escreve de maneira rápida? Como a grafologia interpreta essa variação? Ou mesmo nestas diferenças haveria traços coincidentes e significativos?